Ergonomia: A gente precisa tocar nesse assunto.

21/06
Imagine a dimensão de fornecer 70 mil refeições por dia e imagine manipular 10 toneladas de alimentos para isso. Imagine ainda, gerenciar um quadro de colaboradores com 600 funcionários! Sim, o volume é fácil de descrever, mas outra coisa que não se imagina é COMO fazer com que todas essas refeições cheguem ao seu destino, de forma que elas cumpram seu propósito, de levar uma alimentação saudável diariamente.

O público-alvo, neste caso, são crianças da rede pública de ensino da prefeitura de Santo André, na Grande São Paulo, bem como as pessoas atendidas pela rede hospitalar daquele município.

A Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André (Craisa), que existe há 27 anos, é referência no fornecimento de alimentação de qualidade. Entretanto, ao longo desses anos e à medida que as demandas foram crescendo, deixou de lado um item importante para o dia a dia de trabalho pesado de seus colaboradores – o padrão ergonômico de suas cozinhas.

Doenças laborais

O resultado disso foi uma autuação do Ministério Público do Trabalho, que identificou uma elevada demanda de afastamentos dos colaboradores, decorrentes, em sua maioria, por más condições de trabalho. “Lesões de tendões, má postura da coluna, dentre outras queixas desses afastamentos, tiravam do trabalho o equivalente a 25% do quadro de funcionários, o que evidenciava que havia algo muito errado naquela empresa”, observa Cristiano Cecatto, engenheiro especializado em segurança ocupacional e diretor da SSO Qualilog, empresa que foi contratada para avaliar ergonomicamente os postos de trabalho da empresa e mitigar ao máximo, esses números. “Afinal, a empresa trabalha para nutrir as pessoas e precisava rever seus processos internos, porque havia algo de muito errado internamente, e que era antagônico à proposta original de sua criação”, completa.

A adequação de pias, de bancadas de manipulação, de equipamentos adequados para o acondicionamento e manipulação dos alimentos, dentre outras iniciativas, conseguiram, em 18 meses, reduzir para 15% o número de afastamentos dos colaboradores. O inquérito do Ministério Público foi suspenso por um ano, mesmo com o projeto de adequação das estruturas ainda em curso, graças aos resultados já apresentados numericamente.

“Em termos estruturais implementamos os padrões internacionais para ambientes de cozinha industrial, pois havia uma infraestrutura defasada e que não fora adequada ao longo dos anos”, descreve o engenheiro. “É comum vermos situações semelhantes, em estabelecimentos privados, cujo impacto na qualidade de vida dos colaboradores é muito alto”.
Cecatto traz a lista de itens que precisam ser revistos periodicamente em restaurantes, cujo volume de trabalho seja intenso o ano inteiro.  Esses itens, entretanto, variam de acordo com o tipo de atividade da cozinha, seja ela industrial ou semi-industrial:

– Altura de bancadas;
– Uso de eletrodomésticos (batedeira, descascadores de alimentos, lavadores de prato, etc);
– Quantidade de funcionários do local;
– Distribuição adequada das tarefas;
– Exposição a temperaturas extremas (quente e frio);
– Jornadas de trabalho além das previstas em Lei;
– Acúmulo de horas extras;
– Ambiente onde as pessoas trabalhem em elevado nível de estresse (comportamental).
Adequação

Cada ambiente precisa ser avaliado criteriosamente, mas há algumas práticas descritas como obrigatórias, tais como uso dos EPIs, equipamentos de proteção individual. Dentre as causas mais frequentes de afastamento e ações trabalhistas, a maioria vem de situações inadequadas em ambiente de trabalho.

O assunto é tão sério, segundo o engenheiro, que além do sofrimento humano, as empresas estão aumentando seu passivo trabalhista junto ao Ministério do Trabalho e Previdência Social , ao sublimar esses aspectos. “Este exemplo é só um dos inúmeros que já acompanhamos nos últimos 10 anos. O comprometimento do sistema previdenciário passa, em muitos casos, pela questão da falta de ergonomia no trabalho, e no segmento de restaurantes, isso é evidente e alarmante”, alerta.

O engenheiro encerra com um alerta aos proprietários de restaurantes, em especial. “Vale a pena investir em adequações no ambiente produtivo do seu estabelecimento, não só para mitigar ações trabalhistas. O ser humano que trabalha em um ambiente respeitoso vai render maior produtividade, o produto que for oferecido à mesa do estabelecimento vai ganhar um novo sabor e ao longo do tempo, todos ganham com isso. O dono do restaurante, o colaborador e claro, o cliente à mesa!”

Por Assessoria de Imprensa Bem Brasil Alimentos.
www.bembrasil.ind.br

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