Alimentos e solidariedade de sobra.

14/06

Uma iniciativa solidária e organizada é capaz de aglutinar outras inúmeras ações solidárias para vencer um cruel inimigo social, a fome. Há quase duas décadas, o Banco de Alimentos do Rio Grande do Sul dá sustentabilidade à distribuição de alimentos, vencendo o desperdício e a fome, duas faces da mesma moeda social, em benefício dos que mais precisam.

A fome atinge 800 milhões de pessoas em todo o mundo. Estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apontam que 1,3 bilhão de toneladas (um terço) de todos os alimentos produzidos no mundo são perdidos ou desperdiçados. Esse montante, segundo a instituição, poderia alimentar dois bilhões de pessoas. No Brasil, segundo os estudos mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda há 7,2 milhões de brasileiros em situação de fome, de cada quatro lares brasileiros, pelo menos um vive o que se define por “insegurança alimentar”, onde o abastecimento de alimentos não é feito regularmente e nem conta com todos os nutrientes para uma boa alimentação.

Solidariedade à mesa

Há 17 anos, pensando em ajudar essa população que está à margem do consumo sem ter o que por à mesa, um grupo de empresários do Rio Grande do Sul lançou o primeiro Banco de Alimentos do país, como uma OCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). O Banco de Alimentos consiste em coletar doações e prover armazenamento e distribuição qualificada de alimentos para entidades beneficentes.

“O índice de 3,8% de recessão colocou mais 10 milhões de pessoas no mapa da pobreza e com a perda do PIB, colocamos mais 15 milhões. É preciso ter o termômetro da rua. Estamos conseguindo conquistar a sociedade para buscar uma solução para um problema da própria sociedade e cada vez, temos mais adesões. Tomara que um dia possamos dizer verdadeiramente que não temos mais fome e dizer que vencemos e estamos aqui encerramos”, sonha Paulo Renê Bernhard.

O Banco de Alimentos já distribuiu mais de 35 milhões de quilos de alimentos para 330 entidades beneficentes do Rio Grande do Sul, desde sua criação, no ano 2000. Para obter esse sucesso conta com a colaboração e participação de diversos segmentos da sociedade.

Grande produção mundial

O Brasil produz mais alimentos do que consome, mas 40% dessa produção se perde nas lavouras, nas estradas, nos supermercados e ainda a maior parte da   sobra, cerca de 80%, é exportada. Somos o maior exportador do mundo em grãos. Mas essa “fartura” na produção de alimentos não chega à mesa do brasileiro.  Mais de 7,2 milhões de pessoas são afetadas pelo problema da fome no Brasil, segundo recente pesquisa do professor Danilo Rolim Dias de Aguiar, do Departamento de Economia do Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

O governo federal, nos anos 2000, lançou programas como o Fome Zero, que ajudou a diminuir o grau de desnutrição de milhares de famílias, mas ainda é muito pouco diante da miséria e pobreza que ainda temos no país.

Área de atendimento

A distribuição dos alimentos arrecadados é feita a instituições (creches, escolas, asilos, lares de excepcionais, associações de bairros, entre outras), previamente cadastradas gratuitamente no Banco de Gestão e Sustentabilidade. Como o Banco de Alimentos atende 21 cidades em todo o estado, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (SETCERGS) é a entidade responsável pelo gerenciamento logístico da distribuição e , anualmente roda em média 100.000 km, executando a coleta e a distribuição de alimentos arrecadados.

Os alimentos doados são coletados nos locais e dias indicados pelos doadores. As doações são armazenadas na central de arrecadações, um depósito próprio do Banco de Alimentos. Neste local, as nutricionistas analisam e determinam quais os tipos de alimentos necessários para as instituições serão enviados conforme as quantidades e valores nutricionais ideais para suprir suas necessidades.

”Temos parceria com universidades, supermercados, transportadoras, sindicatos, associações comerciais, entidades religiosas, gráficas, imprensa e voluntários. Temos gestão, estrutura bem organizada, processo de coleta, armazenamento e qualificação pelas faculdades de engenharia alimentar, nutrição e até de medicina, pois quando os estagiários de nutrição percebem que em algum local há uma maior “deficiência” do que a alimentar, entram os estudantes de medicina. As pessoas entendem que este é um compartilhamento como um todo da sociedade e o beneficio é de todos. Esses dois pilares são os mais importantes e fundamentais. O desafio de arregimentar a sociedade foi lançado dentro da Federação da Indústria do Rio Grande do Sul e as empresas já começaram ajudando”, explica Paulo Renê Bernhard, presidente do Banco de Alimentos.

Outra iniciativa é o projeto de combate ao desperdício de alimentos, com destaque para o Programa “Hortifrutigranjeiros”, em parceria com supermercados do Estado para recolhimento, higienização e distribuição de frutas e hortaliças “descartadas” das gôndolas das lojas, mas em perfeitas condições de consumo humano.

O Banco ainda desenvolve campanhas de arrecadação, como o “Sábado Solidário”, realizado em parceria com a Rede de Supermercados Walmart, Rissul e Carrefour,  sempre no primeiro sábado do mês, contando centenas de  voluntários que captam alimentos e estimulam a solidariedade.

O Banco ainda inovou com a campanha virtual “Clique Alimentos” (www.cliquealimentos.com.br). “Quem quiser doar alimentos sem gastar do próprio bolso é só clicar em um prato, escolhe a cidade que quer doar e um dos doadores, por exemplo, um supermercado ou uma loja, clica e a empresa doa por você. Com este processo já ultrapassamos 5,3 milhões de quilos de alimentos doados por pessoas em 2.000 cidades, de 140 países do mundo. Não atendemos mais porque precisamos sensibilizar ainda mais a  população. Fazemos campanha em jogos de futebol, feiras, exposição, seminários, fóruns, dentro das empresas, em todos locais possíveis e com o apoio da imprensa”, diz Bernhard.

Um grande diferencial é o próprio Banco de Alimentos que procura as Instituições tomando a iniciativa ao fazer visitas in loco e estabelecer as prioridades. O modelo do Banco de Alimentos tem atraído a atenção de outras federações de indústrias e entidades de diversos estados. Segundo seu presidente, até o governo federal demonstrou interesse em implantar um Banco de Alimentos nacional.

Banco de Alimentos em seu Município

Se você quiser se tonar um doador ou criar um Banco de Alimentos em seu Município, todo o processo pode ser acessado no site:

http://www.redebancodealimentos.org.br/Inicial

 

 

Por Assessoria de Imprensa Bem Brasil Alimentos.
www.bembrasil.ind.br

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